Inspirada pela história de transição da Cá aqui, decidi compartilhar um pouco do meu processo, que aconteceu de um jeito curioso: eu nunca escolhi fazer a transição, fui “obrigada” através da gravidez.
Bora lá… fato é que a transição capilar está ganhando cada vez mais força, com mulheres redescobrindo suas texturas naturais em busca de autonomia capilar e auto-aceitação. Segundo dados da ABIHPEC (Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosmética), o mercado de produtos voltados para cabelos cacheados e crespos cresceu cerca de 20% nos últimos anos. E ter um mercado que olha por nós facilita muuuito o rolê… Então bora lá!
👉 Nunca fui ondulada ou cacheada.
Pelo menos, não nas lembranças ou fotos da infância. Meu cabelo sempre teve volume, mas ondas definidas? Nem sinal. Talvez porque eu não cuidasse da forma correta ou talvez porque a textura tenha mudado com as oscilações hormonais da vida adulta. A verdade é que eu sempre fui apaixonada pelo meu cabelo: a cor, o volume e o jeito dele são parte importante da minha personalidade.
Em casa, o ritual era claro: cabelo bonito é cabelo escovado. Lembro da minha mãe ensinando a escovar 50 vezes para cada lado. O resultado? Brilho e um volume digno de “Juma Marruá”. Mas não demorou para eu me render à prancha. Aos 13, já frequentava salões e, aos 15, ganhei minha própria chapinha. Não demorou muito para a progressiva entrar na minha vida. Aos 18 fiz a primeira e, por volta dos 30, cheguei à fórmula perfeita: raiz alisada e comprimento preservado.
Foto caseira direto do meu banheiro pra mostrar o cabelinho alisado. Eu tinha o combo perfeito do corte + progressiva. Era só dormir de coque e acordar assim todo dia… Confesso que bate saudade dessa praticidade.
A relação com a progressiva era de uma leve dependência. De três em três meses eu estava na Trança (perfeita e sem defeitos, recomendo!). O problema é que, com a confirmação da gravidez, minha obstetra foi categórica: nada de química, nem mesmo as versões “sem formol”.
Começava ali um processo chato — e eu preciso ser sincera: a transição é um perrengue. Diferente da Cá, eu não tive a opção de desistir. E se tivesse, teria desistido com certeza durante o processo… Durante meses, minha auto-estima foi lá para baixo.
O período crítico (esse da foto ao lado), aquele onde tudo parece desanimador, durou de janeiro a julho. As diferentes texturas me incomodavam demais. Meu cabelo tem volume e a escova secadora não dava conta. Resultado? Voltei à chapinha. A última progressiva foi em junho de 2023. Em julho de 2024, finalmente fiz o corte para retirar as últimas partes alisadas. Esse reels aqui mostra o antes e depois chocante do rolê.
O corte foi um choque. Amei demais, e ao mesmo tempo eu não reconhecia aquele cabelo. Era um novo ser ali na minha cabeça. Aos poucos, fui aprendendo a finalizar e cuidar das ondas. E sendo sincera aqui e sem romantizar tá? Dá trabalho. Com um bebê pequeno, confesso que vivo 60% do tempo de cabelo preso e 40% finalizado e lindo.
Seis meses depois, me sinto mais hábil. Alterno entre dias de amor e dias de ódio. Não pelos cachos, mas pela falta de praticidade. Mesmo assim, não penso em alisar por enquanto.
Meu deus, como eu me sentia o muppet Rowlf nos dias que não sabia o que fazer com o meu bebelinho. Lembra dele?
Não vou mentir: às vezes cogito voltar ao liso. Mas a progressiva é definitiva demais e ter a liberdade de transitar entre texturas me atrai. Ando apaixonada pelo cabelo da Larissa Scanavini, inclusive! As dicas dela têm sido ótimas, e o cabelo dela virou minha nova inspiração. Ai quando bate a saudade da praticidade ou do alisamento eu corro nos stories dela e a saudade passa demais – to animada pra ver minha skin longa and ondulada.
Transição capilar não é só sobre cabelo. É sobre paciência, autodescoberta e adaptação. Cada fase é um aprendizado. Por isso, sigo nessa vibe de experimentar e aceitar cada etapa do processo. E olha… enquanto escrevo esse texto, estou até pensando em marcar um novo corte.
Aceito dicas de produtos e finalizadores!
A jornada continua. Beijos!