A primeira coisa que preciso dizer é que, sendo sincera demais, já escrevi esse texto cerca de quatro vezes… E nunca fica à altura da experiência maluca e linda que eu vivi. Então, este é um combinado comigo mesma: o que sair aqui embaixo, é o que será. Rs.
Nunca pensei que eu queria um passar por um “parto normal” – vou falar assim pq é como popularmente falamos, mas entendam como parto normal, o parto vaginal (hihihi). Eu falava que parto normal era coisa de índio (aqui já peço desculpas pela falta de noção) e era total defensora da cesárea. Aliás, no meu preventivo, meses antes de engravidar, tive essa pauta com a ginecologista: queria saber se, no dia que eu engravidasse, ela aceitaria fazer uma **cesariana**. Ai, deus, risos nervosos.
A verdade é a seguinte: você só vai pensar de fato no parto que você quer quando engravidar. É ali que o bicho pega, porque a partir daquele momento do positivo você sabe que, em alguns meses, você vai parir. Deixa de ser uma ideia e vira um fato.
Sexta à tarde, fui fazer minha consulta semanal de pré-natal, com 38 semanas, e como estava sentindo uns líquidos saindo (coisa pouca, de conta-gotas mesmo), a ginecologista me sugeriu fazer um toque. Minha bolsa estava intacta, mas segundo a Maira, “meu colo estava uma delícia” – hahaha – e já estava molinho. Isso me pareceu algo bom, mas nada que indicasse que o trabalho de parto se aproximava…
Voltei da consulta e, sei lá porque, resolvi ir dormir. Não eram nem 20h ainda, mas senti um soninho e deitei. À meia-noite, acordei com meu marido indo deitar, e pela primeira vez senti uma contração com cólica. Mas assim, coliquinha. Bem tranquila… Importante dizer aqui também que, desde 16 semanas, sentia muitas contrações, porém sempre sem dor. Sabia que, na reta final, as contrações começavam a doer, então ao sentir essa cólica, ainda estava de boas. Porém, minutos depois, veio outra contração dessa. E outra… Algo ali estava diferente. Lembro de falar pro meu marido que alguma coisa diferente estava acontecendo, para ele ficar atento.
É importante reforçar que isso não era trabalho de parto ainda (se você quer saber o que caracteriza um TP, pode ler aqui), então eu fiquei tranquila, assistindo *Grey’s Anatomy* e curtindo essa movimentação interna. Como nada disso caracterizava TP, não liguei para a doula (ia acordar a gata à toa) e fiquei enviando tudo que eu sentia pra ela no WhatsApp, para que ficasse um histórico da madrugada. Vou achar um print aqui.
Lembro perfeitamente da hora que tive meu primeiro sustinho: do nada, minha barriga estava bem pra baixo. Tenho fotos, rs! A barriga saiu da altura do cós do top e desceu uns bons dedos. Ali me deu a sensação de que algo podia de fato estar acontecendo.
Se teve um momento que eu pensei nessa madrugada “Eita, acho que vem aí…” esse momento foi quando vi minha barriga.
Fomos a madrugada toda assim. Eu ia dormindo picado e lembro também de pensar “ok, se a contração com dor for isso, é bem de boa” – spoiler: não foi bem de boa.
Quando foi 8h da manhã, Ediane, minha doula perfeita, consultora de amamentação e anjo da guarda, viu minhas mensagens e me orientou a ir dormir, descansar… Porque esse trabalho de parto poderia engrenar ou passar totalmente. Então, escovei meus dentes, tomei um banho e resolvi deitar enrolada na toalha mesmo.
Minha bolsa estourou às 8h10, e com ela já veio a primeira mega contração. Mega. Bem dolorida. Fui lembrando de tudo que haviam me ensinado e tentei me movimentar e achar uma posição que me deixasse mais confortável, já que não tinha intervalos muito grandes entre as contrações – já começamos com contrações de 3 em 3 minutos. Na cama estava ruim, então fui para o chuveiro. Água na lombar, respiração que haviam me ensinado e seguimos. Aliás, doula e técnicas de respiração são coisas que vou indicar por toda a vida, ok? Sei que fizeram muita diferença na minha experiência.
Às 9h, já com muita dor, pedi pra doula vir para minha casa. A sequência era a mesma: contrações intensas, uma dor forte que vem e vai. Porém, as minhas contrações não davam muito espaço, o que não me permitiu descansar. Eu jurei que entre contrações eu poderia dormir, me maquiar, ou sei lá o que… Porém cada parto é um parto, e eu nem tive esses tais “entre contrações” direito.
Ediane chegou às 9h20 e ali eu vivi boas horas. Lembro dela me fazer massagem, aromaterapia e tudo isso me ajudou muito no alívio da dor e na conexão com o parto. Estar entregue à experiência talvez tenha me ajudado muito.
Seguimos em casa, Ediane cuidando de mim, Diego já colocando tudo no carro, mas a dor estava aumentando (vômitei de dor umas 4x). Gente, dói. Dói mesmo, se preparem pra isso. A dor está lá, dá e passa. Meu parto foi feliz do começo ao fim, e a dor é só um detalhe. Às 11h, senti vontade de fazer cocô – ou seja, Eduarda estava querendo sair.
Ai, meus amigos, a parada ficou louca. Louca. Curta, porém bem louca. Embarcamos rumo ao hospital, que fica a 7,9 km da minha casa, ou 18 minutos de carro. Estava no carro quando a primeira força veio. Se você já leu ou buscou outros relatos, sabe que essa força é totalmente involuntária e incontrolável. Seu corpo faz tudo sozinho e não há muito como parar. Lembro de só pedir pra Santo Expedito não deixar eu parir no carro e pedir pra força parar, aos gritos e desesperada. Eu falava “para, para, para” quando a força acontecia; não queria mesmo parir no carro.
A metade do caminho, ou um pouco além, tem o Corpo de Bombeiros e eu pedi muito pro Diego entrar lá, porque qualquer coisa, o bombeiro faria meu parto. Hahaha, ai, deus, louca surtada. Porém, na hora do aperto, você só quer resolver. No meu caso, só queria parir – a dor aqui já estava beeem forte.
Cheguei no Sabin e já no expulsivo, claramente com a criança querendo conhecer o mundo. Sempre que faço esse relato para alguma amiga, quando chega a esta parte, repito a mesma frase: quem estava na recepção da emergência com certeza contou o que viu neste dia pros seus familiares. Eu cheguei e queriam que eu passasse pela triagem, mas era impossível. IMPOSSÍVEL. O meu corpo fazia força atrás de força, uma coisa louca. Eu não estava mais no controle do parto, era pura natureza agindo ali. As atendentes do hospital me ignorando, a Ediane fazendo uma conchinha com a mão embaixo da minha ppk – porque a criança estava vindo, real – e eu só pensava que não queria passar no Fantástico com um vídeo de câmera de segurança como “mulher dá à luz na recepção de hospital”. Nossa, não queria mesmo.
Com muita dificuldade e com toda a movimentação das pessoas que aguardavam atendimento, me trouxeram cadeira (impossível sentar), acho que surgiu uma água também – me liberaram para ir para a enfermaria sem passar pelo atendimento. Depois, meu marido foi lá pra gente dar entrada oficialmente. Era 11h46, segundo o papel da minha triagem.
Da enfermaria me levaram para o quarto, procedimento padrão para um parto normal. Eu pedia por analgesia infinitas vezes, mas sei lá por qual bruxaria, eu não falava minha palavra de segurança em momento algum. O combinado era só fazer algo com a minha palavra. Gente, eu pensava na palavra, eu pensava em falar, mas acabava deixando para “próxima contração”. Ah, eu pedi dipi 1g também. Hahaha, pobrezinha. Aqui eu falo uma coisa para as gestantes: não tenham medo da dor e saibam que ela existe. A dor é muito forte, mas o propósito precisa ser maior. No meu caso, era fazer tudo de melhor dentro das minhas decisões, pela Eduarda, então tava show.
Nessa hora, era puxo sob puxo já. Não tive espaço para respirar entre contrações e nem na força para sair, o que tornou tudo bem louco. Não tive descanso entre a bolsa estourar e parir – foi tudo bem rápido para um primeiro parto normal, e tudo bem intenso, já que não conseguia dar aqueles descansos que a gente vê nos vídeos.
Você sabe direitinho quando o bebê está “quase” – porque queima. Círculo de fogo é pouco. Hahaha, queima real. Queima. Sentir a Eduarda ali me deixou DESESPERADA. Porque pqp, estava doendo pra caceta. Desculpem a palavra, mas doeu muito.
Ela estava vindo, a equipe toda animadíssima, e eu só falava “eu não quero mais” hahaha ou pedia a Deus 5 minutos pra descansar. Ele não deu, já aviso. Então, às 12h26, num puxo, a cabeça dela saiu. Ai, gente, estou chorando. Saiu e sendo minha filha, a gata já berrou! Hahaha, berrou só com a cabecinha do lado de fora e o corpo pra dentro ainda. Chorei de emoção. Nesta hora, eu errei e sugiro que não façam o mesmo: lembrem que a força quem faz é o seu corpo. Sei lá por que resolvi fazer uma força em cima desse puxo, pra terminar logo. Deu certo, ela saiu. <3 Linda, perfeita e cheirosa, direto pra mim. A emoção mais louca e linda que eu já vivi. Só digo que não sugiro fazer isso, porque tive laceração (3 pontos no total) e tenho a sensação perfeita de ter sido nessa hora.
Minha laceração não foi aquela reta entre ppk e cóccix. No meu plano de parto estava bem claro que a episiotomia era proibida em mim. Sou totalmente contra. Então, tomei 2 pontinhos no sentido contrário + 1 pontinho em outro pedacinho. Só isso. Com um pós-bem tranquilo, não senti nenhuma dor nos pontos, nem nada. Tudo caiu de boa e foi suave, real.
E assim nasceu minha Cidinha. Era aparecida desde sempre na barriga, fizemos juntas um parto lindão e a jato (pequenas alegrias), e ela segue sendo essa perfeição da mamãe.
Parir é atravessar um túnel, é lindo, mágico e, de longe, a experiência mais grandiosa que eu já vivi nesta vida. “Ah, mas dói.” Sim, dói. E ainda assim, eu poderia passar por um parto por dia para ter minha pequena nos meus braços. A dor não é nada, a vivência é gigantesca. Parir é quase um transe, e para mim foi uma experiência absolutamente feliz e maneira.
Ufa, fechei. Acho que contei tudo. Se tiverem dúvidas, podem escrever aqui que vamos trocando figurinhas, ok?